Dois filmes italianos, um sobre cinema e outro sobre design, compõem esta sessão do Arquiteturas 2019. Os filmes encontram-se relacionados pela moldura temporal que tratam, os anos 60 e 70, décadas em que os arquitetos, designers e cineastas italianos estiveram não apenas envolvidos como a crítica ao modernismo, mas também empenhados politicamente na denúncia das mazelas da sociedade.

Thirty-Seven Movies for a Home (Itália, 2017) mostra como a questão da luta pela apropriação do território da cidade não é nova. O avanço da cidade sobre o campo, nas décadas de 60 e 70, já problematizava a situação de vida do proletariado numa Roma marcada pela especulação imobiliária e pela exclusão social. O filme retrata as questões habitacionais da época trazidas para debate político pelas imagens do cinema de guerrilha italiano; mostra também como, nos anos 60, em sintonia com a emergência da consciencialização ecológica mundial, já se falava em Itália da necessidade do uso de materiais recicláveis. Esses filmes radicais reivindicavam uma arquitetura social, não conivente com estruturas especulativas, envolvida com a transformação social.

Questões políticas como a Guerra do Vietnam, o movimento estudantil italiano de 68 e as manifestações operárias de Florença servem como pano de fundo para o documentário da programação oficial SuperDesign (Itália, 2018). O filme fala da história dos vários grupos de design e arquitetura que eclodiram na região da Toscana nas décadas de 60 e 70, não apenas o famoso Superstudio, mas também o UFO, o Archizoom e o Studio 65. Faziam todos parte de um “movimento radical de design” em que se defendia uma nova visão do mundo e uma sociedade utópica, transformada pelo design e pelas experiências constantes com materiais novos do pós-guerra como o poliuretano, os novos tipos de plástico e tecidos.

Thirty-seven movies for a home

Arianna Lodeserto
Itália Italy, 2017, 11‘
Competição Novos Talentos
Estreia portuguesa 

SuperDesign

Francesca Molteni
Itália Italy, 2018, 60’
Documentário Programa Oficial
Estreia portuguesa